Quarta-feira, 12 de Outubro de 2005

"O clima está a mudar...

A chuva veio, finalmente. Não a chuva mole de princípio de Outono mas a chuva gorda e farta de uma tempestade tropical. Em Portugal, como noutros lugares, o clima muda devagar, mas muda. Setembro tornou-se um mês tórrido, Outubro um mês quente, e agora temos a monção e temos uma tempestade tropical, o Vince, que como todas as tempestades e furacões, sejam femininos ou masculinos, é cheia de caprichos e mudanças de rumo e humor.

O Vince, como toda a gente sabe, é uma tempestade tropical que se formou no meio do oceano Atlântico e que em vez de rumar para as Caraíbas e a América Central, resolveu vir para a Europa e o norte de África. Não me lembro de alguma vez termos sido atingidos por uma tempestade tropical baptizada, como não me lembro de uma seca como a que atingiu Portugal neste último ano. Não me lembro de uma «hurricane season» tão feroz como esta, de que o Katrina e o Rita ( o artigo definido e o substantivo não coincidem) são exemplos maiores de destruição.

Em Portugal, como no resto do mundo, o clima está a mudar. E nós começamos a ver o clima a mudar dentro do tempo das nossas vidas, o que é um acontecimento extraordinário. Apesar do que dizem os inimigos da ecologia e do ambientalismo, que identificam estes movimentos com formas parasitárias de activismo político vermelho e oportunista, o planeta está em sarilhos. As emissões de gases de estufa, a dependência energética, a poluição, a destruição das florestas das chuvas, o sobreaquecimento, o derretimento da calota polar, as fissuras na Antárctica e, de um modo geral, o nosso desinteresse, enquanto civilização de desperdício e bem-estar, pelo mundo que vamos deixar aos nossos filhos, são sinais da catástrofe que está para vir. Costumamos achar que a catástrofe é uma fantasia de Hollywood e que a invenção humana acabará por resolver estes problemas como resolveu outros antes mas, o principal problema decorre das nossas ignorância e desatenção egoístas, da arrogância americana e da emergência da China como potência consumidora de energia. Todos sabemos que o problema tem de ser atacado já -- e a fraqueza das Nações Unidas nestas questões é aterradora -- só não sabemos como atacá-lo ou obrigar as nações a atacá-lo. As gerações futuras pagarão a factura. "


Clara Ferreira Alves in diário digital


publicado por mar_te às 10:08
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"As ondas quebravam uma a uma Eu estava só com a areia e com a espuma Do mar que cantava só para mim. " -Sophia de Mello Breyner Andresen-

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