Sábado, 2 de Julho de 2005

Sobre Sophia ...

SOPHIA

Da lusitana antiga fidalguia
um dizer claro e justo e franco
uma concreta e certa geometria
uma estética do branco
debruado de azul.

Sua escrita é de nau e singradura
e há nela o mar o mapa a maravilha. 

Sophia lê-se como quem procura
a ilha sempre mais ao sul.


Manuel Alegre


 


PARA SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Vejo-te sempre vertical num apogeu azul
em que celebras as coisas e pronuncias os nomes
com a claridade das cúpulas e das evidências solares
Em ímpetos claros vais figurando o cristal
que dos actos transferes para as palavras límpidas
(…)
És o dia a claridade do dia dominado
e de cimo em declive és o oriente amanhecendo
Frágil é o teu poder? Frágil e perfeitíssimo
(…)


António Ramos Rosa


 


Na poesia portuguesa e europeia, Sophia é, por certo, um dos poetas que mais perto está da pulsação inicial e mágica da palavra. E por isso a sua poesia, como toda a veradeira e grande poesia, pode ser dita, cantada e até dançada. 

Manuel Alegre
(na apresentação de Musa, 12/94)


 


É dessa aliança entre a misteriosa graça das musas e o exigente rigor de uma ética muito antiga que vive a escrita de Sophia, sempre bem ciente da degradação do "tempo dividido" que nos cabe, mas insistindo em celebrar o que resiste

Fernando Pinto do Amaral
Público, 24/12/94


 


Sophia de Mello Breyner Andresen est célébrée depuis un demi-siècle comme l'une des voix les plus pures de toute la poésie portugaise. On dirait que la parole poétique émane d'elle naturellement, à la fois simple et majestueuse, idéale et proche du réel.
Cette aristocrate nourrie de culture grecque, au regard plein d'images de la mer fabuleuse et de la terre aimée, qui a su admirablement chanter la grandeur de Pessoa, s'est toujours volue une amie du peuple (...) Catholique, elle a pourtant un sentiment païen, proche de celui de Ricardo Reis, de l'indifférence de la nature, de la brièveté de la vie, de la soumission nécessaire au
destin. Elle renouvelle ainsi les grands thèmes du lyrisme classique (...). 


Robert Bréchon
in Georges Le Gentil, La littérature Portugaise


 


Sophia de Mello Breyner, grand écrivain portugais, poète fêté dans le monde entier, va nous enchanter, d'autant plus que les éditions de La Différence ont la bonne idée de publier le texte origina de Navigations face à la traduction française.

Elle, 19/12/88


 


O mundo de Sophia é povoado por deuses e não por homens. Por isso, é mais fácil encontrá-lo nos vestígios e nos lugares da civilização grega do que no mundo em que habitamos. Por vezes, esta poesia chega a ser de uma profunda desumanidade:
sonhando com a perfeição, o equilíbrio e a harmonia (...) ergue-se para além do mal e da imperfeição que nos são consubstanciais e faz reviver um tempo sem mácula. (...) É aí que a poesia se dá como revelação e como relação com o Todo, como uma espécie de linguagem natural que decorre simbolicamente das coisas. (...) Impossível não sermos tocados pela força bem perceptível desta positividade. Sophia faz-nos sentir o júbilo de uma poesia que avança contra ou à margem do sentido negativo da História (...) e atribui ao poeta a sua missão original de celebração.

António Guerreiro
Expresso, 15/7/89


 


Sinónimo absoluto de poesia


Dizemos «Sophia» como se esta palavra fosse sinónimo absoluto de poesia.
Dizemos «Sophia» e a nossa memória enche-se do som que as palavras têm.
Dizemos «Sophia» e de repente o ar é límpido, as águas transparentes, há sempre uma casa na falésia e o sol faz rebentar o calor na cal das paredes.
Dizemos «Sophia» e todas as flores e todos os peixes têm nome, e as crianças tornam-se mais ricas quando os encontram. Dizemos «Sophia» e não precisamos de dizer mais nada.


Alice Vieira 


 



Dançando num trono invisível


Ao falar de Sophia ocorrem-me duas ordens: a dos deuses e a dos homens. Ela participa de ambas. De onde o «ph» dela que todos aceitamos. Não só a sabedoria, a totalidade do saber, a claridade, aquela leveza e sentido extremo do espírito cívico e da lealdade. Vejo a Sophia dançando num trono invisível, acertando sempre quando é preciso acertar e, brincando, dizendo verdades terríveis, com a pontaria cega das crianças e dos loucos. Além disso, cozinha bem, tem umas pernas muito bonitas, faz-me sempre rir. Imagino que se Camões tivesse uma princesa preferida, ela seria a Sophia.


Margarida Gil


 


Apego às coisas essenciais


Mais do que o conhecimento, a minha mãe transmitiu-nos, desde a infância, o apego intransigente às coisas essenciais da alegria de viver: o bom pão, o bom vinho, o mar, o Verão, a luz. Essa é uma herança preciosa. Porque essa é, na verdade, a base do conhecimento e da vida.


A minha mãe ainda hoje, com 80 anos, tem uma maior avidez de mar ou de luz do que de mais livros. E vive com a mesma intensidade todas essas coisas essenciais. Sobretudo, vive com a mesma fúria cada instante. Porque ela não é depressiva ou melancólica. Pelo contrário, ela enfrenta com fúria – uma vez mais, é essa a palavra – todas as perdas. Essa forma de viver, de amar cada instante que a vida nos dá, contagiou-nos profundamente.


Maria Sousa Tavares 


 


Obrigado pela sua obra


O Prémio Camões é hoje, sem dúvida, o reconhecimento maior e mais nobre que um escritor de língua portuguesa pode receber na sua área linguística. A obra de Sophia, pela sua regularidade, pelo seu equilíbrio, pela sua nobreza, pela sua pureza, justifica inteiramente o prémio.


Os leitores de Sophia, e contam-se por muitos milhares, de todas as idades e de todas as formações, que conhecem a música dos seus poemas e, frequentemente, os sabem de cor, não deixarão de regozijar-se por esta decisão, que os identifica com um prémio que é de todos nós que falamos português. A Editorial Caminho, que publica a obra poética de Sophia, associa-se naturalmente a este coro de aprovações. Parabéns, Sophia, pelo prémio. E obrigado. Obrigado pela sua confiança em nós, obrigado pela sua obra.


Zeferino Coelho, Jornal de Letras, Artes e IdeiasL, 16 de Junho de 1999

publicado por mar_te às 23:31
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"As ondas quebravam uma a uma Eu estava só com a areia e com a espuma Do mar que cantava só para mim. " -Sophia de Mello Breyner Andresen-

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